terça-feira, 8 de novembro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Culatreiro -Adriano Silva Alves
Hoje não quis ser ponteiro,
Hoje não quis ser ponteiro...
Preferi vir na culatra,
Pra ver a estrada depois.
Alma judiada, corpo cansado,
Um resto de fumo,
Compondo um palheiro;
A tropa delgada, sentida do frio,
Pelo grosso, segue a marcha;
E eu que quis vir na culatra
E eu que quis vir na culatra...
Pra ver a estrada depois.
Quero falar do tropeiro,
Das geadas, luas, pampeiro;
Não quero lembrar dos bois.
Ontem na última ronda
Depois do mate, o assado,
Bebi da noite outro trago
De nostalgia e silêncio.
Nem mesmo a seda do lenço
Pode defender o fio
Da lágrima que cortava,
Quando o vento bordoneava
Outra triste melodia
Que copiei, pra neste dia,
Me acompanhar no assobio.
Mudei semblante e cavalo
Hoje no “baio encerado”,
Ontem, o moro prateado.
Deixou meus passos na estrada.
Mas hoje...
Hoje é o fim da jornada
E eu que quis vir na culatra;
E eu que quis vir na culatra
Pra ver a estrada depois...
Deixo pra traz mais que o trote,
E empurro a diante minha sorte
Junto ao destino dos bois.
Chego na frente da estância
Já quase no fim da tarde,
E um resto de sol invade
A nuvem clara de poeira.
Não vi abrir a porteira
Hoje me “toca” fechar,
Mas faço a tropa cruzar
Pelo grosso, mais delgada;
Inteira a conta na talha
Pouca ‘plata’ pra contar.
E a noite vem debruçar
Sobre o segredo do dia,
A mesma triste melodia
Que copiei pra o assobio.
Outro pouso, mesmo fio,
Da lágrima, cortando o lenço;
Solto o baio e então repenso
Talvez a própria existência;
Eu que quis vir na culatra
Eu que quis vir na culatra;
Pra ver a estrada depois...
Sem ter a própria querência!
Sem ter a própria querência...
Achei querência pra os bois.
Depois do mate, do assado.
Não quis beber mais um trago
Da minha própria nostalgia;
Adormeci...
E a melodia do vento
Me fez esquecer o tempo;
Pra esperar a manhã.
Fechar de novo a porteira
De tiro o baio encerado
Ao tranco, o moro prateado,
Deixando os passos na estrada.
O mesmo corpo cansado,
A mesma alma judiada...
O mesmo resto de fumo
Compondo um novo palheiro.
Eu que não quis ser ponteiro...
Eu que quis vir na culatra!
Eu que quis vir na culatra,
Pra ver a estrada depois...
Ontem fui homem, tropeiro!
Ontem fui homem, tropeiro.
Amanhã...
Amanhã, também serei boi.
Lua Cheia, julho 2011.
Adriano Silva Alves.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Minha Primavera
Cada espanto alardiado pelos quero-queros,
Cada aroma primaveral que invade o olfato
E nos conta da jornada percorrida nos ares....
O penetrar de um canto meio a tantos
É indiscutivelmente uma manifestação única
Do renascimento...
Coxilhas que banhadas de vida
Acumulam crescentes de berros
Que ressoam longe nas planuras...
O atestado escrito pelo tempo e assinado,
Pelo sol com o permiso da lua....
Gestando a sombra,
Que os umbus já pariram
Tantos motivos...tantos olhares
Partejando, igual se encontra
A minha voz – potro novo-
Por ser de mesma linhagem...
A tuna criada meio as pedras,
Ao campo sujo das chircas,
Das macegas em flor...
Ao sangue de boi que ronda
Como pedindo atenção
E cruza mais longe do chão
Um tajã monge cantor...
Onde meus olhos sangram.
Onde as sangas choram,
A existência das magoas,
E das partidas...
Encontro o meu eu,
Em tantas vidas
Que já não sei quem eu sou
Nos corredores,
Nas horas,nas nuvens...
- lá fora-
No escuro,no rio,na potrada,
Nos sois...
- mas não sorriu-
Nas luas,nas mortes,
Quem nunca se viu no seu ontem,
Na primavera das flores?...
E se os sois e luas
Teimam em me iluminar
Me encontro nas sombras do ontem
Olhando pra traz -eu venho-....
Pedro Almeida setembro de 2011
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
DÉCIMAS DE JACINTO LUNA (Osiris Rodriguez Castillo )
No pregunten de'onde soy,
vengo del tiempo aparcero,
y ni los mismos senderos
Comprenden pa’ donde voy;
voy tiempo arriba y estoy
resignado a mi destino,
de andar siempre peregrino,
durmiendo sobre mis garras,
y despertando guitarras
a la orilla del camino.
Sin fajón en la carona
ni lazo atado a los tientos,
traigo un temblor que los vientos
dejaron en mis bordonas,
y una pena en las lloronas
que no quieren alzar vuelo,
porque el rigor del pihuelo
la lleva atada a mi huella,
pa' que no se hagan estrellas
alumbrando desde el cielo.
Ni me espera una querencia
ni los caminos me espantan
porque no hay pa’ los que cantan
más pago que el de la ausencia;
nada me ata a la existencia,
voy muriendo al tranco lerdo
cada atardecer me pierdo
tras los horizontes rojos,
con un niebla en los ojos
y acosa’o por los recuerdos.
Me han echa’o en el fogón
ramitas de mataojo,
espinas en el rastrojo,
un dolor en el corazón;
y voy con esta canción
en los labios de una herida,
pa’ que al final de mi vida
quede mi canto despierto,
pues todo cocuyo muerto
deja una luz encendida.
vengo del tiempo aparcero,
y ni los mismos senderos
Comprenden pa’ donde voy;
voy tiempo arriba y estoy
resignado a mi destino,
de andar siempre peregrino,
durmiendo sobre mis garras,
y despertando guitarras
a la orilla del camino.
Sin fajón en la carona
ni lazo atado a los tientos,
traigo un temblor que los vientos
dejaron en mis bordonas,
y una pena en las lloronas
que no quieren alzar vuelo,
porque el rigor del pihuelo
la lleva atada a mi huella,
pa' que no se hagan estrellas
alumbrando desde el cielo.
Ni me espera una querencia
ni los caminos me espantan
porque no hay pa’ los que cantan
más pago que el de la ausencia;
nada me ata a la existencia,
voy muriendo al tranco lerdo
cada atardecer me pierdo
tras los horizontes rojos,
con un niebla en los ojos
y acosa’o por los recuerdos.
Me han echa’o en el fogón
ramitas de mataojo,
espinas en el rastrojo,
un dolor en el corazón;
y voy con esta canción
en los labios de una herida,
pa’ que al final de mi vida
quede mi canto despierto,
pues todo cocuyo muerto
deja una luz encendida.
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