segunda-feira, 7 de março de 2011

10°Acampamento da Canção _Vencedores


Muita emoção na entrega da premiação do 10.º Acampamento da Canção Nativa de Campo Bom, na madrugada desse domingo. Autor da letra da música Descendente, Lisandro Amaral recebeu o troféu de 1.º lugar acompanhado pelos dois filhos: João Antônio, de apenas 8 meses (para quem fez a letra, quando nasceu), e Maria Rita, 4 anos. O momento bem representativo emocionou o público. "Cantando nossos ancestrais, divulgamos da melhor maneira nossos descendentes", disse o Lisandro, aplaudidíssimo pelo público que superlotou a estrutura montada para o festival, em sua noite de encerramento no Parque do Trabalhador.

Tanto organizadores quanto músicos comemoraram o sucesso desse retorno do Acampamento da Canção e do Bivaque. Ainda nesse domingo volto aqui para contar mais sobre muitos pontos emocionantes do festival - e também para trazer várias fotos da noite final! Parabéns aos organizadores. Foi uma grande festa da música gaúcha!

*VENCEDORES DO 10.º ACAMPAMENTO DA CANÇÃO:

1.º Lugar: Descendente, com letra de Lisandro Amaral e música Cristian Camargo, na interpretação de Lisandro Amaral

2.º Lugar: Milonga de Campo a Laurindo Pedra, com letra de Fabio Maciel e Gujo Teixeira e música de Vitor Amorim, na interpretação de Marcelo Oliveira e Índio Ribeiro

3.º Lugar: O Espelho no Escuro, com letra de Carlos Omar Villela Gomes e Paulo Ridhi, e música de João Bosco Ayala Rodriguez e Nilton Júnior, na interpretação de Robledo Martins

Melhor Intérprete: Shana Müller em Un Llanto de Cunumi, com letra de Zé Renato Dauth, Diego Muller e Martim Cesar, e música de Juliano Moreno

Melhor Instrumentista: Eduardo Lopes, em Um Romance Chamamecero, de Wilson Vargas e Eduardo Lopes

Melhor Arranjo: Descendente

Melhor Tema sobre o Vale do Sinos e Música Mais Popular: Campo Bom é Um Paraíso, com letra de Roberto Ornes e música de Alexandre Oliveira, que também foi o intérprete

Melhor Indumentária: Quarteto Coração de Potro

*Crédito foto: Tânia Goulart texto:Tânia Goulart-abcdogaucho/jornalnh

sábado, 5 de março de 2011

Luíz Menezes

Ultimo Pouso

Luís Menezes

gentileza de Ivan Ramires

A morte a china ma leva
Traçoeira que até dá pena
Vive a pealar gente buena
Sem se importar com o gaudério
Não sei que estranho mistério
Na minha emoção se espelha
Quando minha alma se ajoelha
Ante a Cruz de um cemitério

Fico por horas bombeando
Fingindo frases ficticias
Que ali ficam com as noticias
Penduradas sobre a losa
Dizendo ó tu boa esposa
Dorme em paz aos pés de Deus
Que dirão então os meus
De mim que sou qualquer coisa

Basta morrer pra ser bueno
Basta sofrer pra ser junto
Quem nasce ou morre de susto
Nem frases fingidas tem
E dizer que no além
As almas são tão iguais
Pra que estes luxos demais
Depois que somos ninguém

Mais feliz é a cruz solita
longe no ermo da estrada
Sem fita sem flor sem nada
Marcando o fim de uma vida
Fica dormindo aquecida
No sol que logo a desbota
Sem frase fria ou lorota
Nesta sesteada comprida

Gosto da cruz do proscrito
Na solidão da campanha
Tendo a garrafa de canha
Por promessa recebida
Me dêem esta cruz perdida
Pra que o gaúcho passando
Viva sempre me acenando
Numa eterna despedida

Tomara que Santo Onofre
Seja no céu meu parceiro
Garanto que o dia inteiro
Vamos beber canha e vinho
E assim farei meu cantinho
Na invernada do Senhor
Serei mais um pecador
Tendo um santo por padrinho

Sei que vão falar de mim
Por mulherengo ou andejo
Mas fica aqui meu desejo
Expresso nesta oração
Não falem de um coração
Que no céu não terá luz
E amarrem bem minha cruz
Com as cordas do meu violão.

Luiz Coronel


Gaudêncio Sete Luas tem um Canto de Saudades

Autoria: Luiz Coronel

Atirei minha saudade
lá no fundo do riacho.
As águas foram gemendo
chorando ladeira abaixo.

Atirei minha saudade
lá no fogo da fogueira.
Quando o fogo virou cinza
a saudade estava inteira.

Pra bem fugir da saudade
eu montei na ventania.
Corri mundo e a saudade
na garupa me seguia.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Gaúchada faz tempo não atualizo ,então aqui vai um poema do celebre Aparicio Silva Rillo(Mãe velha)

Mãe Velha

Autoria: Apparicio Silva Rillo

Cabelo era preto.
Que liso era o rosto!
Teu corpo era flor.

Cabelo era preto.
mas hoje, Mãe Velha,
cabelo branquinho,
geada e agosto
que não levantou.

Que liso era o rosto!

Agora, Mãe Velha,
rosto enrugadinho
parece co'as frutas
que o tempo secou.

Teu corpo era flor.
Mas hoje, Mãe Velha,
da flor, que ficou?
Só haste pendida
que a vida deixou.

A cor do cabelo
passou pro vestido.

O arado do pranto
no liso do corpo
que fundou que arou!

A haste pendida
curavada pra terra,
e a terra reclama
o que falta da flor.

- Papai foi pra guerra!
dizia o piá.
Mãe Velha era moça
no tempo que foi.

Mas veio a notícia:
- Teu homem morreu,
de lenço encarnado
e de lança na mão.

E os homens passavam
nos magros cavalos,
com barbas de mato,
com palas rasgados,
com pena da moça,
com raiva da guerra,
que mata um gaúcho
pra erguer um herói.

Mãe Velha - era moça -
chorou muito choro
no seu avental!
Abriu o oratório
da sala do rancho,
rezou padre-nosso
por alma do homem
que a guerra levara
de lenço encarnado
e de lança na mão.

E a Virgem Maria,
seu Filho nos braços,
olhava mãe moça
Mãe Velha ficar.
E a vida espiava
Mãe Velha viver:

- madrugada na mangueira,
leite branco na caneca,
chaleira chia na chapa,
costume faz chimarrão.
Gamela, farinha branca,
forno aceso, sova pão,
charque magro na panela,
canjica, soca pilão,
manjericão na janela,
vassoura roda no chão...

E a vida cobrava
tostão por tostão.
Mãe Velha, mais velha,
pagava pro tempo
a usura do dia.
Um sol que sumia
era mais um dobrão.

Piá se fez homem.
Mãe Velha com medo da revolução
Um dia, por fim,
piá foi s'embora
seguindo um clarim.
Mesminho que o pai:
de lenço encarnado
e de lança na mão.

Guria cresceu.
Sobrou no vestido
da chita floreada
que a mãe lhe cozeu.
Depois... se perdeu.

Mãe Velha chorando
o que a vida lhe fez,
no velho oratório
já reza por três.

A noite tem fala
na boca da noite,
a vida é mudinha,
nem boca não tem.

Por isso que a vida
ninguém não entende,
Mãe Velha, ninguém.
A vida, Mãe Velha,
que é mãe e mulher.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

sábado, 5 de fevereiro de 2011